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Mãe de Osama bin Laden se manifesta pela primeira vez após o 11 de setembro

Para Alia Ghanem, de 70 anos, seu filho primogênito sofreu lavagem cerebral: 'Era um garoto muito bom e me amava muito'



Osama bin Laden no Afeganistão AFP
Alia Ghanem, mãe do líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, mentor dos atentados de 11 de Setembro, se manifestou pela primeira vez sobre as ações do terrorista em uma entrevista ao jornal britânico "The Guardian", publicada nesta sexta-feira. Aos 70 anos, ela ressaltou que ainda o ama e acredita que o filho, ainda jovem, recebeu más influências.
Para que a entrevista fosse agendada, o jornal britânico precisou de uma autorização do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, de 32 anos, a nova liderança do país. Ainda assim, um representante do governo acompanhou a conversa, ocorrida no início de junho. As respostas dadas pela mãe de Osama, desse modo, ficaram restritas à vida pessoal do filho, sem abordar a relação entre a monarquia saudita e os fundamentalistas, iniciada ainda no final dos anos 1970, quando Bin Laden esteve entre os milhares de sauditas enviados para combater os soviéticos no Afeganistão. "Minha vida foi muito difícil porque ele estava tão longe de mim", disse a mãe de Bin Laden, morto no Paquistão por um comando americano em 2011. "Ele era um garoto muito bom e me amava muito."
Alia contou ter nascido numa família de alauítas, um desdobramento do islamismo xiita, na cidade de Latakia, no litoral da Síria. Sua mudança para a Arábia Saudita ocorreu nos anos 50. Ainda nesta década, ela deu à luz seu primogênito, em 1957, em Riad. Pouco depois de se divorciar do pai de Bin Laden, se casou novamente, quando o filho tinha 3 anos.
Ela destacou que na infância o filho demonstrava ser tímido e ter grande potencial para os estudos. Para a mãe do terrorista, outras pessoas foram responsáveis pela sua radicalização durante o curso de Economia na Universidade King Abdulaziz, em Jeddah.
— As pessoas na universidade o mudaram — frisou. — Ele se tornou um homem diferente.
Foi na faculdade que Bin Laden conheceu Abdullah Azzam, membro da Irmandade Muçulmana. Mais tarde, ele seria exilado da Arábia Saudita e se tornaria seu conselheiro espiritual.
— Ele foi uma criança muito boa até conhecer algumas pessoas que praticamente fizeram lavagem cerebral quando tinha 20 e poucos anos. Você pode chamar isso de culto — disse Alia. — Eles conseguiram dinheiro para a para a causa deles. Eu sempre dizia a ele para ficar longe deles, e ele nunca admitia para mim o que estava fazendo, porque me amava tanto.
RADICALIZAÇÃO NOS ANOS 70
A radicalização de Osama bin Laden nos anos 1970 ocorreu antes da Revolução Iraniana de 1979, que aprofundou a polarização entre muçulmanos xiitas e sunitas. No início dos anos 1980, Bin Laden foi para o Afeganistão combater a ocupação soviética. Ele acabou exilado do reino quando se opôs à presença de tropas americanas no país, depois da Primeira Guerra do Golfo, em 1992. A partir de 1999, a família não teria tido mais contato com o terrorista.
Alia disse ainda que nunca passou por sua cabeça que o filho pudesse se tornar um jihadista. Quando descobriu o que estava acontecendo, não aprovou de jeito nenhum.
— Nós ficamos muito chateados. Eu não queria que nada disso acontecesse. Por que ele jogaria tudo fora assim? — indagou. — Osama era muito correto. Muito bom na escola. Ele realmente gostava de estudar. Ele gastou todo o seu dinheiro no Afeganistão, se esgueirando sob o disfarce de empresa familiar.
'ELE ME ENSINOU MUITO', DIZ IRMÃO
Apesar do envolvimento de Bin Laden na al-Qaeda, Hassan, outro filho de Alia, disse que sente orgulho de tê-lo tido como irmão mais velho.
— Ele me ensinou muito. Mas não estou muito orgulhoso dele como um homem. Ele alcançou o estrelato em um palco global, e foi tudo para nada.
A mãe de Osama respondeu às perguntas ao lado dos filhos Ahmad e Hassan e de seu segundo marido, Mohammed al-Attas, que criou os três irmãos, na mansão da rica família em Jeddah, na Arábia Saudita.
— Já faz 17 anos (desde o 11 de Setembro) e ela continua negando o caso de Osama — afirmou Ahmad. — Ela o amava muito e se recusa a culpá-lo. Em vez disso, culpa os que o rodeiam. Ela só conhece o lado do bom garoto, o lado que todos nós vimos. Nunca chegou a conhecer o lado jihadista
O principal líder da organização terrorista al-Qaeda foi morto em maio de 2011 num complexo residencial na localidade de Abbottabad, próximo à cidade de Islamabad, no Paquistão, com um tiro na cabeça, numa operação de 40 minutos comandada diretamente pela Casa Branca.
REINO QUER SE DISSOCIAR DE OSAMA
Segundo o "Guardian", ao permitir que a família de Bin Laden conte a história do terrorista, a monarquia saudita pretende demonstrar que um proscrito, e não um agente do país, foi responsável pelo 11 de Setembro. Dos 19 participantes do ataque terrorista, 15 eram sauditas.


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